23 de novembro de 2008

"Anda, diz Boa Tarde à senhora." - quantas vezes não te terão chamado à atenção? Quantas vezes não falaste tu por falar, às gentes desconhecidas, para não parecer mal?
Passemos então a por legendas em cada gesto. De cada fez que falas "porque sim", de cada vez que omites com algum propósito, ou que te conténs com qualquer intenção. Vá catano, deixa-te de cortesias e sê só tu, sem acabamentos nem enfeites. Sê só tu em carne viva, crua, a sangrar se for preciso, para que tenhas a certeza de que ainda te resta qualquer coisa de autêntico.

Sentas-te no meu sofá. São onze da noite, eu vibro ao entrar naquela série televisiva. Acompanhas-me o êxtase, sempre por oposição. Descalças-te entretanto - ainda vais ficar por um bocado.
Triste ideia a de se criarem lugares distintos num só espaço de convívio - as fossas abissais de que te falei acentuam-se - hoje a noite só conseguiu fingir a tua vinda para perto de mim.


A propósito do tal "falar porque sim", saltamos duas voltas nos ponteiros de qualquer relógio, tu chegas atrasado a casa dele e não me tocas. Não me nada. Não percebi. Legenda-te, pedir-te-ia se pudesse.

1 comentário:

ilhéu disse...

Gosto muito de vir cá. É um campo enigmático, de segredos, de silêncios. Prefiro assim... beijo