6 de novembro de 2008

Espanha




Sexta-Feira, 29 de Fevereiro de 2008

Não, não digas a ninguém. Ninguém tem de saber.
Deixaste o teu cheiro por todo o lado. Cada monte de esponja forrada que nos servia de conforto ou brincadeira cheira a ti.

(Tocaram agora mesmo à campainha. É dia seis de Novembro do mesmo ano, e corri à porta na ilusão de que pudesses ser tu do outro lado. A voz murmurava-me qualquer coisa sobra a "Dica da semana" e eu disse que não. A tudo. Não, não eras tu. E não, eu não abriria hoje a mais ninguém. Ontem fintámos a razão e comemos crepes pela manhã. Bons, maus, o que interessava? Interessava-me antes saber o que te trouxe. Que caminhos tomas-te até ao conchego do meu sofá...)
Até um bocadinho de mim ficou com o teu cheiro, confidencio.
Queria simular-te. Simular o teu toque e adormecer sobre ele. Mas não consigo. Já te vivi vezes de mais para te conseguir inventar agora.





Domingo, 23 de Março de 2008

Arrepiava-me. E depois, fazia-me sorrir, esse teu cheiro que já quase não sobra neste pedaço de ti.
(Estavas em Espanha por esta altura. Tinha-te quase obrigado a deixares-me qualquer peça de roupa com o teu cheiro antes da tal viagem - erro meu. Devia ter-te dado também qualquer pedacinho de mim, para que não me tivesses deixado do lado de cá.)
Pergunto-me o que restará para além dele - e nada mais me ocorre se não a memória do que nunca foi, ou a miragem do que nem sequer virá a ser.

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