9 de novembro de 2008

Subordinação


Não me quero subordinar a ti. Não me quero subordinar à tua vontade de mim.
Apercebi-me há instantes que tinha perdido mais umas palavras que não expressei.. Julguei tê-las guardado mas foram-se com o mesmo fulgor com que as cuspi. Pintavam qualquer coisa sobre a forma que o teu corpo deixava no meu edredão quando saías, sobre a marca dos traços do teu rosto na minha almofada e do teu cheiro que se estendia por todas as partículas pelo resto da noite.
Apercebi-me também de que não só as palavras se perdem...
Perdi-me. Dentro ou fora de ti, o que interessa? Dou por mim numa viagem sem retorno, um rodopiar enjoativo numa esfera achatada pelos choques aqui e ali.
Perdi-me no meio das tuas fintas. Tropecei nas tuas rasteiras inocentes. Esbarrei contra as tuas cargas de ombro propositadas.

Julguei ver coisas a mais. Sentir coisas a mais. Mas nunca disse coisas a mais.
Percebi então que não via coisas a mais, apenas o que ali estava - se pensava ou não a mais já era outra coisa. De igual modo também não sentia coisas a mais - quem raio me imporia limites?

Não, ao contrário do que possas julgar, não me excedi. Nem por instantes.
Ter-te-ás excedido tu em todas as horas em que não precisámos de mais ninguém?

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