1 de janeiro de 2009

O teu lado da moeda

É quando sais e o teu cheiro se crava no ar tanto como as tuas palavras na parede que te escrevo. Pegas em mim como num bloco de plasticina e moldas-me – não o feitio, creio, mas a memória. Moldas-me para que cada peça daquilo que sou esteja ligada a ti, para que cada metro quadrado remeta à tua presença.
Não quero que me tomes que nem amor de bolso, como aquela personagem do filme de hoje que foi à procura de um Deus qualquer que lhe coubesse na algibeira agora que alguém lhe morria. Não quero muito menos que julgues que te tenho como amor de bolso, para usar e guardar conforme a necessidade.
Toma-me como um não-sei-quê em quarto crescente, depois da Lua Nova das nossas infâncias paralelas, agora que as vivências se tornam perpendiculares. Toma-me em cru, tela colorida na tua galeria, quadro que podes ainda, se quiseres, pontear.Usurpo-te o cheiro no cachecol de outrora, o toque na epiderme, a voz na memória. Fomos tudo e nada ao mesmo tempo, no mesmo local de sempre, e eu vinco o “tudo” no teu lado da moeda.

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