2 de novembro de 2009

A viagem


"Amo-te prega a prega, amo o teu mau humor como o teu riso, as tuas apatias e entusiasmos, o teu corpo desmoronado pelo cansaço, amo as tuas falhas e as tuas injustiças - falas tanto de eternidade e nem percebes que é este o amor eterno, o amor que não cede às fendas, aos detritos, aos buracos do tempo."



Fez-me cócegas a saudade de ler de quem sempre me fintou com a máxima destreza, e foi entre as palavras da tal romancista que nos reli, meu bem.


Fosse eu capaz de me calar ou diria que são minhas as palavras que em primeira instância varreste. Outra autoria, a mesma mensagem. As palavras já não fluem com a mesma facilidade, agora as imagens vingam, em planos infinitamente sobrepostos, estrategicamente empoleirados uns nos outros para que tudo encaixe.


Desfolho álbuns com cada gesto teu, com cada conquista nossa. Juntos, definimos trilhos para a nossa viagem. Às vezes não se percebe muito bem quem guia, outras adormecemos ao volante ou fechamos os olhos de tanto rir e não vemos o caminho, mas depressa nos norteamos. Habituei-me à parceria do dia-a-dia, o conforto de te ter comigo ajustou metas, acertou trilhos, desviou paragens mas, acima de tudo, fez desta viagem A viagem de uma vida.



Agora percebo meu amor, a felicidade estampada no rosto daqueles senhores de barba, bússola em punho e mochila às costas que exploram mundos; a felicidade do Neil Amstrong quando voltou no Apollo 11, a felicidade de quem descobre, de quem não desiste e se supera a si mesmo.


São trilhos por desbravar, são troços para contornar, são residenciais feitas de tempo em que paramos para desfrutar da paisagem.


Dá-me a tua mão, vamos viajar.