28 de abril de 2010





Dezanove de Abril de Dois Mil e Dez



Tenho saudades de te escrever, meu amor.



Já lá vão meses desde a última vez que te falei sem que soubesses, e finda agora a espera, encontro-te em segredo.
Contava-te há dias o que absorvi da tal conversa sobre inteligência emocional. Falavam-me num livro de Daniel Goleman – julgo escrever-se assim que mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades: Auto-Conhecimento, Controlo, Auto-Motivação e Reconhecimento emocionais e Habilidade em relacionamentos inter-pessoais.

Contar-te-ía agora o que inferi sobre a inteligência de uma só emoção, e chamemos-lhe o que chamarmos, só contigo a conheço: amor, que assim seja.
A inteligência do amor não se divide em competências, habilidades ou teorias resultantes da razão humana. A inteligência do meu amor por ti desenvolveu-se por partenogénese, sem que eu mesma tivesse dado por isso.
Sobressai a cada dia, quer estejas a dormitar comigo ou a trabalhar para o teu futuro do outro lado da capital, quer estejamos a discutir visões diferentes ou a sublinhar o quão patético seria já vermos o mundo um sem o outro.

Por vezes, confundes-lhe a perspicácia. Atas-lhe a visão com um lenço de pano e põe-no às voltas num rodopio em espiral. Até que cai, redondo, no chão. As emoções não são de borracha, não são de matéria alguma que minimize o impacto, e, por vezes, machucam-se as coitadas. Não são capazes de manter o discernimento, e baralham a inteligência toda, e choram – como eu choro com uma facilidade incrível a ver filmes lamechas com final feliz.
Felizmente, e é por isso que o acho inteligente, o meu amor por ti recompõe-se sempre. Regenera-se sempre. Como se fosse uma célula cancerígena, que por definição vive para sempre por se reproduzir indefinidamente, mas cujo crescimento é benéfico. E a cada ciclo te compreende melhor, trepando as muralhas do teu castelo e fazendo do nosso mundo um só – sem fronteiras.

O amor é a porta aberta para onde quer que seja que queiras ir, porque é feito disso

mesmo – vontades, intenções, desejos. Entrámos juntos faz tempo. Demos as mãos e não

as largamos nem que por mil pruridos. O amor é perspicaz,

“porque juntos somos mais(Tiago Bettencourt).

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